segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Casa dos esquecidos





Porque choras tão baixo

Aqui na casa dos esquecidos, o silêncio é o manto da dor e do esquecimento

Sufocados pela cidade dos homens, nós repousamos em perpétuo silêncio

Guardados por carpideiras que eternamente lamentam, choram...

No mesmo lugar pelas mesmas pessoas...

O tempo já se foi e as ampulhetas já voaram, deixando para traz as cinzas do tempo.

O tempo esquecido pelos vivos,

Eternizado pelos mortos

Em sua morada tão distante do mundo,

Tão distante da vida.

Lugar onde os anjos da morte

Repetidamente apagam a chama da vida

Com um único sopro, forte e breve...

Onde os anjos batem asas, mas presos não conseguem voar, e apenas olham, oram...

Rezam sem descanso...

Lugar onde a saudade positivista joga repetidamente flores nos jazigos.

Onde a serpente petrificada conta por si só sua história

A história deste túmulo ou casa para nós, não é muito diferente dos tantos outros que guardam esculpidos sua história, e a história de uma época...

Apresento-vos o senhor José Paixão Cortes, fazendeiro, solteiro faleceu aos 64 anos de idade no dia 20 de março de 1901 às 2 horas da tarde de uma quarta feira. Mas este túmulo tem uma história mais que o normal.

A saudade, dor e perda estão aqui entalhadas, representadas. O imaginário popular conta a história de uma criança cuja inocência lhe custou à vida. Euclides Felipe teve a vida ceifada por uma serpente aqui representada, quando em um gesto de pureza e inocência ao enfiar a mão em uma toca a procura de uma coruja foi surpreendido por uma picada. Em silêncio a coruja espera, esculpida, petrificada aqui por mais uma oportunidade para sair da toca escapando da serpente.

( Douglas Lemos de Quadros)

Túmulo da Família Paixão Cortes – Lord, Douglas Lemos de Quadros

Foto : Tais Robaina Vidal

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